que aconteceu entre 1865 e 1870 e envolveu Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai – além de esmiuçar as razões que motivaram o conflito. Escrito e dirigido por Matheus Ruas, Guerra do Paraguai mescla reencenações realistas de batalhas, criativas animações em computação gráfica e entrevistas com historiadores, jornalistas, diplomatas e um filósofo (o brasileiro Mario Sergio Cortela), para contextualizar este importante e sangrento conflito de nossa história.

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Cerca de 75 mil brasileiros, 18 mil argentinos e mais de três mil uruguaios – além de nada menos que 300 mil paraguaios, ou quase 70% da população do Paraguai na época – morreram ao longo dos cinco anos de guerra, entre civis e militares, em decorrência de combates, epidemias que se alastraram e fome. Também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, a Guerra do Paraguai teve início com a invasão da província brasileira de Mato Grosso pelo exército paraguaio, sob ordens do polêmico presidente Francisco Solano López (1827-1870). O ato foi uma represália a então recente intervenção armada do Brasil no Uruguai, que ocorrera em 1864 pondo fim à guerra civil uruguaia. Mas o gesto que de fato marcou o início da Guerra do Paraguai, isto é, a primeira reação à invasão e aos ataques do presidente Solano López, foi a assinatura do Tratado da Tríplice Aliança, formada entre Brasil, Argentina e Uruguai em 1º de maio de 1865.

Os depoimentos de historiadores (como Mary Del Priore e Francisco Doratioto), jornalistas (Eduardo Bueno, Leandro Narloch, Jorge Rubiani), diplomatas (Miguel Solano López, bisneto de Solano López, Juan Rivarola) e escritores, entre brasileiros, argentinos, paraguaios e um europeu, conferem ao especial uma visão plural dos acontecimentos, analisando e contrapondo os momentos em que o Brasil agiu de maneira correta e aqueles em que foi totalmente inconsequente ou arbitrário, assim como as atitudes – muitas delas irresponsáveis – do então presidente Solano López (e de sua esposa, Elisa Lynch) ao longo dos cinco anos de lutas. Não há unanimidade entre os entrevistados: enquanto alguns defendem posições do Paraguai ou do Brasil, outros, como Eduardo Bueno, criticam duramente a teimosia de Dom Pedro II (1825-1891) em sua caçada a Solano López e na manutenção de uma guerra tão cruel, que se arrastou por mais de cinco anos. Já as reencenações de batalhas, extremamente realistas, trazem ao especial um pouco do horror e da violência existentes nas guerras. Dom Pedro II, um dos grandes líderes desse sangrento conflito, é personificado no especial pelo ator brasileiro Jairo Mattos.

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Guerra do Paraguai joga luz sobre diversos pontos pouco conhecidos dessa guerra, como o fato – assustador – de ela ter sido o maior embate entre nações do mundo ocorrido entre a Batalha de Waterloo (1815) e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Também existem relatos de que índios brasileiros lutaram tanto pelo lado brasileiro quanto pelo paraguaio durante a guerra, e que a maioria dos homens “Voluntários da Pátria”, expressão patriota que batiza tantas ruas e avenidas pelo Brasil, na verdade foi obrigada a ir à guerra. Com exceção do então chamado Império do Brasil, os Estados nacionais ainda não estavam consolidados na América do Sul. Devido a isso, na Argentina, houve mais mortes registradas de pessoas lutando para não ir à guerra do que durante o próprio conflito.

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Do lado paraguaio, o altíssimo número de baixas registrado deve-se, também, ao fato chocante de que mulheres, idosos e até crianças foram usados como “escudos” pelo ditador Solano López enquanto ele fugia país adentro com sua família, durante a fase final do conflito. Outra curiosidade é que a irlandesa Elisa Lynch, a primeira-dama do Paraguai, conheceu Solano López quando era uma cortesã em Paris. Alguns anos depois, já casada com o presidente, ela chegou a ser a maior proprietária de terras de todo o planeta (caso fossem somadas as propriedades que possuía em seu nome na América do Sul). Após a Guerra do Paraguai, Elisa fugiu para a Europa e perdeu todas essas terras; hoje, porém, é considerada uma heroína nacional no Paraguai, assim como Solano López.

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“A história do Brasil sempre foi maltratada e manipulada nas escolas. Penso, então, que a televisão tem a responsabilidade de tentar corrigir essa distorção. Com Guerra do Paraguai sinto que, pela primeira vez, temos no Brasil uma argumentação histórica sem manipulação”, afirma o diretor do documentário, Matheus Ruas.

“Depois de exibir Gigantes da Indústria, Bonnie & Clyde, Houdini e outras séries de alto valor de produção e dramaturgia impecável, queríamos muito realizar o mesmo no Brasil. Guerra do Paraguai se encaixa perfeitamente nesse tipo de conteúdo, e estamos muito orgulhosos do time da produtora independente Studio Fly, que investiu tanto no especial”, finaliza Krishna Mahon, diretora de Conteúdo Original do HISTORY.

*Guerra do Paraguai será reprisado no dia 12/7, às 9h e às 15h